Se a Fénix renasce das cinzas, será possível renascer dos escombros? Sim, responde-nos esta pequena joia visual!
Música envolvente, uma floresta de ecrãs, uma maqueta em primeiro plano — nada melhor do que um excesso de fantasia para abordar um tema duro: como encontrar a força para se erguer após uma catástrofe? Onde ir buscar os recursos necessários para ultrapassar o trauma e inventar o que vem a seguir?
Entre teatro de sombras e teatro de objetos, acompanhamos, através de um mosaico de imagens animadas, o percurso de resiliência de Aruna, uma criança de 10 anos, sobre os escombros da sua casa destruída, da sua cidade apagada, da sua vida por terra. Em primeiro plano, uma mesa de destroços desenha uma paisagem em miniatura — o desastre em estado puro. Filmadas em direto e em movimento, as ruínas ganham vida, contam o tempo de antes e aquilo que dele resta, a montanha que é preciso escalar para tudo reconstruir.
Mas nada é triste aqui: a poesia e a imaginação acabam sempre por triunfar.
Marie Plantin
foto: ©Rita do Carmo