« Falar pode prejudicá‑la. » Em tribunal, o silêncio de uma mulher revela as falhas e os paradoxos da justiça.
Em cena, uma mulher mantém‑se em silêncio enquanto o seu destino é decidido perante um tribunal. À sua volta, advogadas e uma juíza debatem o «crime mais aterrador» de todos: o de uma mãe que mata o próprio filho. Com Justiça Cega, a encenadora portuguesa Sara de Castro, apresentada pela primeira vez em França, explora as zonas de sombra da justiça e os discursos que moldam o nosso julgamento.
Inspirado num caso real, mas também no mito de Medeia, o espetáculo questiona a forma como as sociedades julgam as mulheres quando estas transgridem o impensável. Quem fala em tribunal? Quem permanece condenado ao silêncio? Como invocar a justiça face ao mutismo das vítimas?
Entre investigação teatral e fábula contemporânea, a peça abre um espaço de reflexão sobre as narrativas, os preconceitos e os limites do sistema judicial. Uma criação perturbadora que interroga os próprios fundamentos da justiça.
Bernardo Haumont
Com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Paris