Ler e dizer Pessoa na contemporaneidade
As Éditions du Seuil e a Maison du Portugal – André de Gouveia, com o apoio da Embaixada de Portugal em França e do Camões – Centro Cultural Português em Paris, organizam uma sessão dedicada a Fernando Pessoa e à obra A Obra-Vida de Richard Zenith, publicada pelas Éditions du Seuil.
A sessão contará com uma apresentação de João Costa Ferreira e Jorge Barreto Xavier.
A mesa-redonda reunirá:
Richard Zenith (escritor e tradutor)
Maria José Lancastre (professora da Universidade de Pisa)
Bernard Comment (Éditions du Seuil)
A moderação estará a cargo de José Manuel Esteves (CRILUS / Cátedra Lindley Sintra).
Após a conferência, terá lugar a leitura do poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa, pela companhia de teatro Cá e Lá, sob direção de Graça dos Santos (Universidade Paris Nanterre).
BIOGRAFIA
Richard Zenith é um tradutor e crítico literário reconhecido. As suas traduções incluem O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, bem como Fernando Pessoa & Co.: Selected Poems, que recebeu o prémio PEN de poesia em tradução. Laureado com o Prémio Pessoa em Portugal, vive em Lisboa.
Especialista mundialmente reconhecido na obra de Fernando Pessoa, Richard Zenith dedicou mais de doze anos à investigação da vida do misterioso poeta, reconstituindo o contexto político, social e familiar, com a preocupação constante de melhor esclarecer os textos e aprofundar o seu significado.
Nascimento em Lisboa, morte do pai e do irmão quando Fernando tinha cinco anos, novo casamento da mãe, longa viagem para Durban, na África do Sul, onde passa parte da infância, seguida de uma adolescência e juventude solitárias em Lisboa, longe da mãe e dos meios-irmãos, estudos pouco aprofundados, gosto pelo inglês (língua das suas primeiras publicações), ambição intensa pelo seu país, uma nação cultural à conquista do mundo, guiada pela chegada iminente de um Super-Camões que talvez seja ele próprio, jogo com as crenças do sebastianismo (o rei morto numa cruzada desastrosa em Marrocos, mas cujo regresso é constantemente aguardado), atenção viva à sucessão dos governos e à alternância de regimes autoritários, visão ambivalente da ditadura, bem como uma relação igualmente ambivalente com a sexualidade e a orientação sexual, numa vida no entanto muito casta. E sobretudo, desde muito cedo, o surgimento de várias personagens dentro de si próprio, que cresceram ao longo dos anos até se tornarem inúmeros heterónimos, alguns dos quais com biografia própria e obra consistente.
Richard Zenith mostra-nos em detalhe o aparecimento de Alberto Caeiro, o mestre, depois de Ricardo Reis e do tonitruante Álvaro de Campos, bem como a escrita progressiva da obra-prima infinita O Livro do Desassossego, um conjunto de fragmentos sob o nome de Bernardo Soares, um modesto empregado de escritório da velha cidade de Lisboa.
Em português e em francês
18h30